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SEO, Otimização de Sites, Mitos, Lendas e Método Científico

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Autor: Alex Oliveira | Data: 05/05/2008 |


Vale começar este artigo com um postulado: “Por trás de toda lenda, há um fato que alguém não conseguiu entender”.

É para isso que as lendas são construídas. Para satisfazer à necessidade humana de tudo entender. Essa “necessidade de entender” entra em conflito constante com uma realidade complexa, desafiadora e, muitas vezes, além do alcance de nossos sentidos.

Podemos dizer que a ciência, o método científico, surge para substituir a criação de lendas como meio de satisfação dessa necessidade. O conhecimento científico pretende unificar os diversos saberes em um único discurso, válido em todos os lugares e culturas.

Uma lâmpada elétrica acende ou deixa de acender em qualquer lugar do mundo pelos mesmos motivos. O mesmo vale para os analgésicos, as vacinas, os computadores…

Qual a relação disso tudo com SEO?

Veja, o SEO não é uma disciplina acadêmica. Ao contrário do que até mesmo bons órgãos jornalísticos andam dizendo por aí, os certificados “Google AdWords Certified Professional” e “Yahoo Ambassador” não são “diplomas de SEO”, mas de links patrocinados (SEM).

É compreensível que o Google e o Yahoo queiram ensinar cada detalhe do funcionamento de seus programas de publicidade a quem quiser aprender. Quanto mais profissionais qualificados e competentes estiverem envolvidos com esses programas, mais popularidade eles ganharão junto aos anunciantes.

Já quanto aos resultados orgânicos – o objetivo do trabalho de SEO – a lógica é exatamente inversa. Enquanto o objetivo dos programas de publicidade é oferecer o melhor resultado para o anunciante, o objetivo dos buscadores é oferecer melhores resultados orgânicos de pesquisa para os usuários finais.

A pior coisa que poderia acontecer com o mercado de pesquisas web seria se os profissionais de marketing descobrissem maneiras 100% eficazes de manipular os resultados dos buscadores pois você, ao realizar uma pesquisa, em vez de obter resultados relevantes, seria brindado com uma enxurrada de spam.

Para evitar que esse desastre aconteça, os buscadores mantêm os seus algoritmos constantemente atualizados e fechados a sete chaves. Assim que o mercado de SEO começa a entender o seu funcionamento e, conseqüentemente, a manipular os resultados para favorecer os seus clientes, uma mudança de algoritmo surpreende o mercado, encerra algumas carreiras e dá início a outras, numa dança que vemos se repetir mais ou menos a cada 3 meses, quando o Google atualiza o valor do Page-Rank na barra de ferramentas.

Assim, veja que, do ponto-de-vista científico, em sua formação e prática profisional, os profissionais de SEO precisam valer-se exclusivamente do método indutivo – isto é, derivar princípios gerais a partir de observações particulares.

Um bom profissional de SEO passa boa parte de seus dias fazendo pesquisas nos buscadores e analisando os resultados, procurando entender porque uma determinada página aparece em primeiro lugar e outra apenas em décimo, enquanto outras ainda ficam perdidas na centésima página de resultados. O objetivo é descobrir o que essas páginas têm em comum. O profissional de SEO formula hipóteses, e testa essas hipóteses aplicando-as a um website sobre o qual exerça controle direto. Acompanha os resultados, verifica o que funcionou e o que não funcionou, compartilha seus achados em fóruns e blogs, discute resultados com seus pares. Nesse processo, o profissional de SEO deixa algumas idéias de lado e adota outras como parte de seu conjunto permanente de melhores práticas.

É lógico que o Google não confirma nem nega a maior parte das conclusões dos profissionais de SEO. È nesse momento que a “necessidade de entender” fala mais alto do que o espírito investigativo e as lendas do SEO começam a proliferar. Por exemplo, li recentemente um artigo em que o autor defendia a ideia, sem nenhuma evidência, de que links absolutos melhorariam os rankings da páginas internas, enquanto links relativos não teriam o mesmo efeito. Pergunto: onde está a evidência? Em meus próprios testes, não encontro uma evidência sequer que corrobore essa crença!

Como ressaltamos anteriormente neste artigo, onde há ciência, não há necessidade de crença. A lâmpada acende e apaga quando se pressiona o interruptor independente das crenças no cérebro que comanda o dedo.

Assim, quando leio na Seach Engine Land um artigo em que o autor afirma que “acredita na penalidade -60“, um novo fantasma do mercado em que alguns sites estariam sendo penalizados com rebaixamento de 60 posições nos rankings, não se trata de discutir se há ou não casos em que esse fenômeno parece se reproduzir pois, no mundo da computação, muitas coisas aparentemente estranhas podem acontecer. Há relatos de um fenômeno parecido que acabou sendo confirmado como um bug em vez de uma penalidade.

O grande problema nesse caso, está no verbo utilizado: “acreditar”. Será que o mercado de SEO pretende que empresas invistam fundo em projetos de otimização para buscadores apostando apenas nas “crenças” desses profissionais? Será que vale a pena investir em explicações que, à falta de evidência que as sustentem, podem acabar não se revelando mais do que lendas?

A competição no mercado de SEO precisa ser mais científica. Fundamentar-se mais em evidência empírica, em resultados práticos e demonstrações do que em crenças. Quando alguém disser que os buscadores fazem isso ou aquilo, peça exemplos práticos, faça seus próprios testes e tire suas próprias conclusões.

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