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Organização de mestrados e doutorados: a mudança imperativa

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Autor: Alex Oliveira | Data: 19/10/2015 |

Folheando recentemente minha dissertação de mestrado ― defendida em 1997 e aprovada “com louvor e recomendação para publicação” ― foi inexorável concluir que o modelo de mestrado e doutorado está totalmente equivocado, de alto a baixo.

A obtenção de um título de mestre ou doutor envolve um esforço imenso para produzir um texto que ninguém lerá. É imperativo mudar esse modelo. Imagem: "Man With Diploma Represents New Grad And Masters" por Stuart Miles.

A obtenção de um mestrado ou doutorado envolve um esforço imenso para produzir um texto que ninguém lerá. É imperativo mudar esse modelo. Imagem: “Man With Diploma Represents New Grad And Masters” por Stuart Miles.

Estou me referindo especificamente ao fato de que cada estudante de mestrado e doutorado tem que fazer tudo sozinho por conta própria, desde a formulação do problema até à encadernação em capa dura. Ora, esse modelo está obsoleto desde que ADAM SMITH (1723-1790), na obra “A Riqueza das Nações” (1776), demonstrou que a especialização e a divisão do trabalho conduziam inevitavelmente a uma situação em que “o somatório dos talentos é maior do que a soma das especialidades individualizadas” (1).

Ora, para incorporar essa “recentíssima inovação” descoberta há “apenas” 239 anos, cada mestrado e doutorado deveria funcionar como uma organização de pesquisa e produção de conhecimento.

O novato entraria nessa organização como “auxiliar de pesquisa bibliográfica”, desempenhando o trabalho braçal de ler, fichar e resumir livros, artigos, documentos, dissertações, teses, dados estatísticos. Após seis meses labutando na pesquisa bibliográfica ― feita para a organização, não para si mesmo ― ele seria deslocado para outras funções de pesquisa, já na condição de consumidor do trabalho do grupo de pesquisa, resumo e fichamento bibliográfico. O mestrando encerraria sua formação e conquistaria o grau de mestre no departamento de redação, onde seria encarregado de redigir capítulos de livros, artigos e outros relatórios de produção científica da organização.

Num sistema como esse o mestrando travaria conhecimento com todo o processo de produção de conhecimento sem ter de fazer tudo sozinho. Mais: a organização conseguiria produzir sem dificuldade dezenas de livros e artigos científicos relevantes por ano.

Após conquistar o mestrado, o mestre que prosseguisse sua formação rumo ao doutorado seria responsável por coordenar, também em sistema de rodízio, o trabalho de um “departamento” no âmbito de um mestrado, sendo-lhe conferido o título de “doutor” após coordenar com sucesso o trabalho de todos os principais “departamentos”.

Um nível acima, os doutores definiriam objetos de estudo dentro das linhas de pesquisa definidas por outros doutores mais experientes e bem-sucedidos na hierarquia da organização.

Cada universidade precisa urgentemente se tornar uma empresa, uma organização de produção de conhecimento. No modelo atual, o estudante faz um esforço DESCOMUNAL, gastando de 2 a 3 anos para produzir um trabalho que, por mais louvores e recomendações que receba, é muito menos do que poderia ser, simplesmente porque seu autor foi obrigado a fazer tudo sozinho, sem dispor de pares com quem coligir os seus resultados e compartilhar dúvidas: um modelo irracional, pré-industrial, indefensável em pleno ano da graça de 2015.

Senão, diga-me: você conhece alguma organização relevante no mundo, empresa ou universidade, em que o conhecimento seja produzido solitariamente pelo inventor, cientista ou pesquisador confinado em seu laboratório ou biblioteca?

Não, você não conhece, porque não existe. Os mestrados e doutorados estão reduzidos, hoje, a fábricas de “teses” e “dissertações” que ninguém lê, cujo destino é a prateleira empoeirada de uma estante, eternamente à espera de uma revisão geral que, finalmente, a transforme em um produto interessante e legível, à altura do esforço envidado em sua produção.

(1) Este artigo é baseado em conversa online com o Prof. Márcio Karsten, que proferiu as palavras do trecho entre aspas.

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